DJs e poetisas negrodescendentes atuantes na Região Metropolitana do Recife

Poetisas e DJs que atuam na Região Metropolitana do Recife (RMR) compartilham suas criações e falam sobre suas trajetórias na nova etapa do projeto CHAMA, idealizado pela artista Ana Lira.

A pernambucana convidou as DJs Boneka, Rastaflávia (integrante do projeto Precious Reggae Woman e do coletivo Reggae Pelo Reggae) e roupaspreta (integrante da Coletiva Scapa) e as poetisas Joy Thamires, Preta Naia (uma das fundadoras do Slam das Minas PE) e Priscilla Ferraz para participar desta fase da iniciativa. O resultado do encontro pode ser conferido pelo público a partir do dia 30 de junho, quando os ensaios fotográficos e a série de entrevistas sobre os processos criativos, batizada de Códigos de Alinhavar Ventanias, serão lançados nas páginas do CHAMA na internet. 

     Ana Lira desenhou o CHAMA em 2017, como uma “experiência criada para acompanhar desdobramentos das poéticas da diáspora negrodescendente / afroameríndia / ameafricana nas expressões sonoras, sensoriais, celebrativas e escritas”. Depois disso, conectou pessoas de diferentes cidades com etapas realizadas em Londres, Rio de Janeiro, Porto Alegre (edição online da Bienal do Mercosul) e Recife.

“O objetivo é abrir uma conversa sobre como as poéticas da diáspora migraram para diversos lugares do mundo e encaminharam seus códigos por meio das diversas expressões criativas dos povos sobreviventes ao tráfico escravagista”, afirma Ana Lira.

A quinta etapa do projeto é guiada, inicialmente, pelas narrativas visuais e o imaginário que cada uma das participantes quis criar em relação com as seguintes questões: Como elas se relacionam com a produção cultural do legado da diáspora em Pernambuco, sendo esta uma das mais antigas do Brasil; e Como encaminham a noção de código e linguagem produzindo um diálogo entre este legado e a transmutação dele na produção contemporânea. 

Para que ela fosse realizada, o CHAMA conta com apoio da Lei Aldir Blanc, do Ministério do Turismo, por ter sido aprovado no Edital de Criação, Fruição e Difusão LAB PE, lançado em 2020 pelo Governo de Pernambuco. 

Após realizar um mapeamento sobre DJs e poetisas negrodescendentes que atuam na Região Metropolitana do Recife (RMR), Ana Lira entrevistou as DJs Boneka, Rastaflávia e roupaspreta e as poetisas Joy Thamires, Preta Naia, Priscilla Ferraz. Ela também as fotografou  em diferentes lugares do Recife (seguindo protocolos de segurança por causa da pandemia de Covid-19). Isso porque uma das características do CHAMA é desenvolver práticas criativas que dialogam com as sensibilidades cotidianas, evocam laços com os lugares de criação, fortalecimento e retroalimentação das linguagens.

“Eu propus que nos encontrássemos em seus lugares favoritos da cidade e que, na medida do possível, eu pudesse acompanhar seus cotidianos”, recorda a artista. 

Os resultados desses ensaios visuais serão publicados nas redes sociais do projeto CHAMA Instagram (@chamanoar), no canal do Youtube do CHAMA (https://www.youtube.com/channel/UCj7ibZPyyiNYGFYzznJ68Hg) e na plataforma EhCho.org (https://ehcho.org/conteudo/chama), dedicada a produções racializadas e dissidentes, onde o projeto hoje está alocado. 

Os programas de rádio gravados durante as etapas anteriores do projeto podem ser conferidos nas plataformas SoundCloud (www.soundcloud.com/chamanoar) e Mixcloud  (www.mixcloud.com/chamanoar). Os quadros do programa foram batizados de pulsos, em referência aos pulsar dos corpos em contato com as sonoridades, à energia dos momentos de celebração e aos picos dos fluxos migratórios, que promovem grandes transformações culturais. 

Já participaram do CHAMA a poetisa Ola Elhassan (sudanesa radicada no Reino Unido), a multiartista Marta Supernova (Rio de Janeiro), a DJ Suelen Mesmo (Porto Alegre) e a performer e DJ Libra (Olinda). 

CHAMA ONLINE

EhCho – https://ehcho.org/conteudo/chama 

Mixcloud – www.mixcloud.com/chamanoar

SoundCloud – www.soundcloud.com/chamanoar 

Instagram – @chamanoar 

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