In Memoriam

A cerimônia do Mérito Cultural na Fotografia da RPCFB, comemora 10 anos da Associação com sua 1ª edição realizada em 12 de dezembro de 2020. Teve início como com a fala da Presidenta da Rede, Isabel Gouvêa, que destacou o histórico de atuação da associação, sua importância para a produção cultural em fotografia nesses últimos 10 anos e anunciou a homenagem a Iatã Canabrava, por ter idealizado a criação da Rede.

Leia abaixo e saiba mais sobre os homenageados na categoria In Memoriam.

Mestre de Cerimônia: MARIA LUCILA HORN – SC (Diretora Regional Sul)

1ª Edição – Lista de homenageados

Entrega do Mérito: André Villaron

Carlos Moreira

CARLOS MOREIRA nasceu em 1936 e faleceu em 2020, em São Paulo. Fotógrafo e professor. Dedicou-se intensamente ao ensino da fotografia, tendo sido professor da Escola de Comunicação e Artes da USP e no final dos anos 90, montou sua própria escola, a Escola de Fotografia M2 Studio, em parceria com Regina Martins. Por lá passaram várias gerações de fotógrafos que hoje atuam com destaque no panorama fotográfico. Seu trabalho é uma renovação da fotografia de rua e vem questionando a fotografia documental. Realizou diversas exposições individuais. Em 2004, foi homenageado na Pinacoteca do Estado em mostra retrospectiva com grande repercussão. Teve seu primeiro livro publicado em 2015, reunindo sua produção ao longo dos últimos 50 anos. Em 2019, realizou a retrospectiva de seu trabalho em cor e PB no espaço Porto Seguro.

Chico Albuquerque – (Foto: Acervo IMS)

CHICO ALBUQUERQUE nasceu em 1917 e faleceu em 1999 em Fortaleza. Começou a fotografar cedo, por volta dos 15 anos de idade, passando a fotografar profissionalmente em 1934, ainda na cidade natal, onde a família foi fundadora da empresa ABA FILMES, onde atuou inclusive como fotografo de still do filme de Orson Wells realizado em Mucuripe. Em 1945 mudou-se para São Paulo, abrindo estúdio próprio no ano seguinte, quando também ingressou no Fotocine Clube Bandeirante, e desempenhou papel de liderança no movimento fotoclubista paulistano juntamente com figuras antológicas como Thomaz Farkas, Geraldo de Barros, Eduardo Salvatore e German Lorca. Foi um dos pioneiros da fotografia de publicidade no Brasil. Foi o fotógrafo da primeira campanha publicitária ilustrada por um brasileiro, em 1949, num estúdio que se transformou em referência no Brasil. Por este estúdio passaram diversos fotógrafos hoje renomados. Retorna em 1975 para Fortaleza, onde montou outro estúdio e permaneceu na ativa. Foi editor de fotografia do jornal O POVO, até o início da década de 1980, formando uma nova geração de fotógrafos. Seu livro Mucuripe, editado em 1989, com imagens desta conhecida praia em dois momentos distintos (1952 e 1988) é considerado um clássico do gênero.

Fernando Lemos

FERNANDO LEMOS nasceu em Lisboa em 1926 e faleceu em São Paulo em 2019. Foi pintor, gravurista, designer gráfico, fotógrafo e poeta. Ainda em Lisboa, iniciou seus primeiros experimentos com fotografia quando realizou uma extensa série de imagens influenciadas pelo surrealismo. Passou a viver no Brasil desde 1952, quando veio fugindo do salazarismo. Em mais de meio século de atividade realizou inúmeras exposições individuais e participou de mostras no Brasil e no exterior, dentre as quais oito edições da Bienal de Arte de São Paulo. Sua trajetória tem como característica a transformação, transgressão, não somente na fotografia moderna brasileira. Influenciou grupos de vanguarda das artes visuais e da literatura, com o qual passou a conviver em São Paulo e no Rio de Janeiro. Recebeu inúmeros prêmios e teve mostras retrospectivas de sua obra na Pinacoteca de São Paulo, espaços culturais de Lisboa e no SESC Bom Retiro. Suas obras fazem parte de importantes coleções nacionais e internacionais.

Flavio Damm

FLAVIO DAMM nasceu em 1929 em Porto Alegre e faleceu em 2020 no Rio de Janeiro. Iniciou na fotografia como auxiliar de laboratório do fotógrafo alemão Ed Keffel, que se refugiou do nazismo em Porto Alegre, em seguida passa a fotografar para a Revista do Globo, em 1946. Foi o primeiro fotógrafo a registrar o ex-presidente Getúlio Vargas em seu autoexílio, após o fim do Estado Novo. O registro garantiu ao fotógrafo uma vaga na revista O Cruzeiro, no Rio de Janeiro, onde trabalhou por 10 anos, tornando-se um dos grandes nomes do fotojornalismo brasileira. Suas imagens davam conta de assuntos e situações, que iam desde os modos de vida de comunidades isoladas no interior de um Brasil ainda pouco conhecido, até a coroação da Rainha Elizabeth II na Inglaterra. Em 1962 fundou, junto a José Medeiros e Yedo Mendonça, uma das primeiras agências de fotografia do país, a “Image”. Participou de diversas exposições no Brasil e no exterior com destaque para a mostra comemorativa dos seus 50 anos de fotojornalismo, realizada em 1998 no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro e a coletiva “As origens da fotojornalismo no Brasil: um olhar sobre o Cruzeiro”, no Instituto Moreira Salles. Publicou vários livros com sua obra. Suas fotos integram coleções de inúmeras instituições culturais e museus brasileiros e de vários países do mundo.

Entrega do Mérito: Adriele Silva

Geraldo de Barros

GERALDO DE BARROS nasceu em 1923 em Chavantes-SP e faleceu em 1998 na capital. Importante fotógrafo, pintor, gravador, artista gráfico, designer de móveis e desenhista. Em 1947 passa a frequentar o Foto Cine Clube Bandeirantes, onde prossegue as suas experiências fotográficas iniciadas em 1946. Em 1949, convidado por Pietro Maria Bardi, organiza com Thomaz Farkas o laboratório fotográfico do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Passa, então, a desenvolver lá os seus projetos fotográficos e inicia a preparação de sua mostra Fotoformas, que é inaugurada em janeiro de 1951 no mesmo museu. Participa, em 1966, ao lado de Wesley Duke Lee e Nelson Leirner, da criação do “Grupo Rex Time” – a galeria de arte onde nasceram os primeiros happenings em São Paulo. Em 1993, sua obra fotográfica é resgatada pelo Musée de l´Elysée, em Lausanne, na mostra Geraldo de Barros, Pintor e Fotógrafo. Essa mesma exposição é apresentada no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, e nessa ocasião o conjunto das Fotoformas é pela primeira vez revelado ao público, editado pelo próprio artista e publicado em livro pela Editora Raízes. Em 1996, Geraldo inicia uma nova série de fotografias chamada Sobras, feita a partir de negativos do acervo da família que são por ele recortados, pintados e montados em placas de vidro. A originalidade da trajetória de Geraldo de Barros é hoje reconhecida mundialmente e suas obras integram coleções públicas e privadas de grandes instituições e museus de vários países do mundo.

Stefania Bril

STEFANIA BRIL nasceu na Polônia, em 1922 e faleceu em São Paulo em 1992. Com formação em química, veio ao Brasil como refugiada, fugindo do Holocausto, com o marido, ambos formados em química. Passou a fazer fotografia depois de um curso na ENFOCO. Atuava também como crítica, ensaísta foi editora de Artes no jornal O Estado de São Paulo e da revista Iris. Realizou o primeiro Festival de Fotografia de São Paulo nos anos 1970, em Campos do Jordão. Desenvolveu o projeto da Casa da Fotografia FUJI inaugurado em 1990, com laboratório profissional de excelência, espaço para exposições, cursos de formação, visitas itinerantes e especialmente uma Biblioteca que se tornou referência no meio da fotografia. No início 1991, Stefania Brill e Juvenal Pereira convocaram os profissionais que atuavam no campo da fotografia em São Paulo para organizar um Festival Internacional. Foi fundado assim o NAFOTO – Núcleo dos Amigos da Fotografia, para a realização do Mês Internacional da Fotografia, e do Seminário Internacional de Fotografia (1987 e 1989. Infelizmente adoeceu e faleceu em 1992. Em maio de 1993, o coletivo realizou o 1º MÊS INTERNACIONAL DE FOTOGRAFIA em São Paulo, homenageando sua fundadora.

Thomaz Farkas

THOMAZ FARKAS nasceu na Hungria em 1924, faleceu em São Paulo em 2011. Teve uma imersão precoce no universo da fotografia em função da atividade da família neste ramo. Seu tio montou a primeira loja da futura rede de lojas de materiais óticos e produtos fotográficos. Thomaz já fotografava profissionalmente na década de 1940 e participava ativamente do Foto Cine Clube Bandeirante. Organizou a Escola de Fotografia do MASP ainda na rua 07 de abril na década seguinte. A partir dos anos 1960, quando assumiu a direção da Fotoptica, a matriz passa a abrigar uma Galeria de Fotografia e a publicar a Revista de Fotografia Novidades Fotoptica. Foi membro da Comissão de Fotografia do Masp, foi sócio-fundador do Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo e Conselheiro da Bienal de São Paulo. Ao mesmo tempo, transformou a Fotoptica em referência para várias gerações de fotógrafos da cidade, fundando a Galeria Fotoptica em 1979, em parceria com Rosely Nakagawa.

Vania Toledo

VANIA TOLEDO nasceu em 1945 em Paracatu – MG e faleceu em 2020 em São Paulo. Fotógrafa, formada em filosofia, foi também professora de História. Desde o início de sua trajetória na fotografia em 1978, revelou-se uma fotógrafa ousada. Pautou suas fotografias nas cenas da noite paulista e corpos nus. Como retratista sempre acreditou no convívio prévio com os fotografados, na grande maioria figuras ligadas a cultura, música e teatro. Apaixonada pelo ser humano, pelas expressões e olhares, Vânia nunca tinha uma luz pronta, criava especialmente para valorizar o que cada um de seus personagens tinha de especial. “Fotografia é o retrato da alma”, afirmava.  Trabalhou e colaborou com inúmeros órgãos da impressa.   Entre outros trabalhos, produziu capas de livros, discos e calendários. Destacou-se como retratista ao publicar os livros Homens, 1980, uma ousada e bem-humorada coleção de nus masculinos, e Personagens Femininos, 1992, uma interpretação fotográfica das fantasias de 54 conhecidas atrizes, recebendo vários prêmios. Publica também os livros Vania Toledo, 1996, e Salomé, 1997.

Quer assistir o vídeo da Cerimônia?

Acesse o link: Mérito Cultural na Fotografia – Comemorando 10 Anos da RPCFB do YouTube da RPCFB.

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