Ensaio "A Gambiologia da Sevirologia" Foto Leu Britto

Festival Photothings divulga seus selecionados

Com mais de 200 inscritos provenientes de diversas regiões do Brasil o Festival Photothings mostra que há uma vibração forte de gente nova querendo se expressar por meio da fotografia.

Texto: Kelly Santos, Mídia Pente Fino
Foto: Leu Britto – Ensaio “A Gambiologia da Sevirologia”

Angústia. Liberdade. Nostalgia. Tristeza. Esperança. Estes foram alguns dos sentimentos marcantes nos ensaios fotográficos enviados por mais de 200 fotógrafos, de todas as partes do país, que se inscreveram para participar do Festival Photothings.

Embora a temática fosse livre, o confinamento causado pela pandemia, o racismo e a desigualdade social foram os temas mais abordados pelos ensaios fotográficos dos inscritos.

A ausência do poder público nos casos de moradias afetadas por tragédias, como as cheias dos rios e a falta de condições mínimas de dignidade – como tratamento de esgoto e água limpa – também estão presentes nas imagens selecionadas.

Entre os selecionados destacam-se os trabalhos: “Somos todos alvos aqui” do fotógrafo Rogério Vieira. As fotografias de Vieira trazem o debate sobre a violência policial sofrida por pessoas das periferias e favelas do Brasil. Já Daniel Eduardo ressalta como a fotografia aflorou sua inquietude, fazendo-o perceber que o pobre favelado não se resume somente a essa condição e que, mesmo com esse cenário desfavorável, existe e resiste nele a fé que move a sua esperança por dias melhores.

No ensaio “A Gambiologia da Sevirologia”, o fotógrafo Léu Britto mostra como a população periférica desenvolveu estratégias para sobreviver e se adaptar às adversidades diante do contexto de ausências. Há também o “Autorretrato Infamiliar” da fotógrafa paranaense Dariane Martiól, que retrata com humor e ironia o tempo passado com sua mãe devido ao confinamento. O novo olhar, proporcionado pelo uso da câmera neste ensaio, ressignificou a convivência que parecia ser insuportável, já que a artista não vivia com a mãe há 10 anos e a pandemia as levou novamente para o mesmo ambiente de morada.

A ausência de preservação de nossa memória também foi lembrada através das imagens enviadas pelo fotógrafo mineiro Rodrigo Garcia em seu ensaio “Memorial Chapadão do Zagaia”.

Para a idealizadora do FESTIVAL PHOTHOTHINGS, Marly Porto, o Festival amplia o espaço para fotógrafos que buscam a inserção neste mercado. “A análise dos trabalhos recebidos reflete as angústias e esperanças do momento atual e comprova nossa percepção sobre a ausência de espaços para acolher uma vasta produção artística nacional”, contou.

Com a proposta de estimular a produção fotográfica nacional, o FESTIVAL PHOTOTHINGS é dedicado aos artistas visuais que têm a fotografia como suporte para o seu trabalho. Seu principal objetivo é estimular a produção fotográfica e oferecer oportunidades para que novas produções artísticas possam aparecer e contribuir para a cultura brasileira. A intenção é delinear um panorama plural da fotografia autoral produzida por uma geração de artistas pouco conhecidos neste segmento, fato causado pela ausência de oportunidades de acesso ao mercado, que gira em torno de poucas galerias e feiras de arte.

Para Valdir Zwetsch, jornalista desde 1968, amante da fotografia desde adolescente e um dos jurados do Festival, a potência do Photothings está justamente na pluralidade dos participantes. “Sinto que há uma vibração forte de gente nova querendo se expressar, com alguns aspectos importantes a destacar: a pandemia – que obriga ao isolamento sem prazo para terminar; o desgoverno – que parece insensível às centenas de milhares de mortes; as feridas vivas da desigualdade, da fome, do racismo e da injustiça social. A câmera e/ou o celular são usados como arma para reivindicar de forma crua e incisiva um espaço de voz, denúncia e enfrentamento. Se o grito da periferia expressa essa luta por diretos pronta para explodir, as imagens das “bolhas” mais “bem de vida” registram sentimentos individuais de angústia, solidão, desespero, medo diante da pandemia e da presença bastante próxima da morte”, contou.

O FESTIVAL PHOTHOTHINGS abrange não só uma curadoria artística. Ele se instala de forma intersecional, encontrando novos públicos, ampliando os seus nichos e perpetuando a narrativa da fotografia como arte através da imagem e como registro da história.

Os artistas selecionados serão contemplados com a exibição de suas imagens em uma exposição virtual no site do festival  e na plataforma virtual do Metrô de São Paulo. Além da exposição o FESTIVAL PHOTHOTHINGS vai premiar cada artista com a produção de um fotolivro autoral e impressões fotográficas de seu ensaio entregues em uma caixa portfólio.

Confira abaixo os selecionados (em ordem alfabética) e o título de seu ensaio:

1- Daniel Eduardo – Paraisópolis meu mundo

2- Dani Sandrini – terra terreno território

3- Dariane Martiól – Autorretrato Infamiliar

4- Eliária Andrade – Seres invisíveis

5- Felipe Iruatá – Yemanjá em tempos pandêmicos

6- Gisele Martins – Interiores

7- Léu Brito – A Gambiologia da Sevirologia

8- Lucile Kanzawa – Entre cores e luzes do Catimbau

9- Rodrigo Garcia – Memorial Chapadão do Zagaia

10- Rogério Vieira – Somos todos alvos aqui

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Serviço:

Festival PHOTOTHINGS

De 09 de março a 26 de abril

Outras informações:  https://linktr.ee/photothings

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